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OSSESSIONE

Luchino Visconti, esteta requintado, dandy das belas formas e das emoções difíceis, põe-se a trabalhar, da primavera ao verão de 1942, numa estória do novelista americano James Cain: The Postman rings twice; e estimulado por Jean Reinoir, adapta-a para o ambiente italiano, com a colaboração deAntonio Pietrangeli, Mario Alicata, Gianni Puccini e Giuseppe de Santis. O resultado foi Ossessione, inicialmente intitulado Palude, filme que arrebentaria com o dique das convenções e do cinema planificado de então.
Antes do seu lançamento comercial, Ossessione é projetado para amigos de Visconti. Lançado nos cinemas de Roma, desencadeia uma onde de vivas polêmicas, chegando-se a ver bispos irem às salas de projeção e abençoar a fita, enquanto a censura fascista termina por proibi-la. Mussolini, depois de a ela ter assistido, autoriza sua exibição apenas em pequenas cidades. Mas a carreira acidentada de Ossessione não pararia por aí.
O autor da novela intervém, alegando que não havia cedido os direitos autorais, e a fita é colocada sob custodia das autoridades aliadas. Somente em 1958 ganha carreira comercial normal na Itália e, no ano seguinte, na França. Quando Mussolini se refugia em Gargnano, leva consigo o negativo do filme e faz por conta própria uma nova versão, com numerosos cortes.

Visconti define a motivação do filme: “Sinto necessidade de explicar os homens,vivos entre as coisas, pelas coisas mesmas”.
Ossessione termina entre sangue, destruição e morte, no mesmo caminho em que começara, impondo a trágica grandeza da obra de um mestre cuja mão não treme ao dirigir o instrumento da sua criação perante o rosto desconhecido do homem contemporâneo.
Que o cinema do país não iria muito longe sob o domínio fascista, a intelligentsia italiana não tinha duvidas, mas não se esperava uma ruptura tão profunda e tão violenta como a que um único filme trouxe. Não apenas um filme corajosamente realista, desligado do formalismo decadente, Ossessione estimulou as perspectivas homogêneas capazes de superar, pela razão, os velhos clichês da cultura oficial.todo um reexame do passado intelectual da Itália se fez subitamente necessário. A reconstrução do cinema, como a das cidades, foi tarefa igualmente penosa, como bem parecidos os homens que delas se incumbiam.

Escrito por Treponem Pal às 02h14 PM
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LADRÕES DE BICICLETAS (LADRI DI BICICLETTE, 1948)

Não propondo especificamente um problema, nem apresentando os dados para resolver qualquer questão social, Ladrões de bicicletas (Ladri di Biciclette, De Sica, 1948), apesar disso leva-nos a meditar sobre o seguinte: advertir e comprovar a miséria, a indiferença, a imensa inércia do pensamento social sobre o individuo, não é de certo modo denuncia-los? Ao abordar esse filme, Bazin foi claro: os acontecimentos e os seres jamais são solicitados no sentido que o transformaria numa tese social. Mas a tese de tal índole surge, dos seres e dos acontecimentos, bem armada e construída e tanto mais irrecusável quanto nos é entregue como acréscimo. Somos nós mesmos, enfim, com nossa inteligência que a depreendemos do conjunto e a construímos, não o filme.

Escrito por Treponem Pal às 01h48 PM
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