MONSTRO NA GARAGEM
  

Por falta absoluta do que escrever, resolvi indicar os filmes mais relevantes que vi – ou revi – , até agora, neste ano.


As Damas de Bois de Boulogne (Robert Bresson, 1949) Bresson não é um materialista, nem um realizador transcendental de cunho herético – vide as aproximações visuais que fez com a obra janseísta de Georges Bernanos -, mas um adaptador infiel, que, em alguns casos, constrói narrativas praticamente novas com um mínimo de relação com a obra literária original, in casu, esta versão velada de Ligações Perigosas, de Laclos. Seu preto e branco ‘aveludado’, no dizer de Truffault,é apenas um dos pontos fortes desta obra cinemática pura.



Beijo Amargo (Naked Kiss, Samuel Fuller, 1964) Veja porque é o filme preferido de Scorsese


 


Juventude Transviada (Rebel Without a cause, Nicholas Ray, 1955) Godard acreditava que Nicholas Ray era a expressão pura do cinema. Numa cinematografia como a americana, acostumada com um estilo de cenografia neutro e uma direção de arte naturalista (Wyler, Huston), Ray explode toda a verossimilhança dos lugares e das vestimentas servindo-se deles mais para conotar a situação dos personagens do que para mostrar semelhança com o mundo real, revelando, assim, a força suprema que os ambientes exercem nas cenas e nas locações evocativas.


 



Cega Obsessão (Mojuu, Yasuzo Masumura, 1969) Doentio exemplar da nouvelle vague japonesa. Filme que influenciou, e muito, o cinema marginal paulista, principalmente a obra de Reichenbach .


Sangue de Pantera (Cat People, Jacques Tourneur, 1942) Um perturbador estudo sobre desejo e sexualidade mórbida em clima noir.



 Contra a parede (Fatih Akin, 2003) Filme irregular, com timing dificiente, mas fascinante na abordagem dos costumes muçulmanos em contrataste com a vida laica – e decadente – de seus asilados na Europa.


 



As Corsas (Les Biches, Claude Chabrol, 1968) A estilização de Chabrol é levada ao paroxismo neste clássico da Nouvelle Vague.



 


Primavera, verão, outono, inverno... primavera (Kim Ki-Duk, 2003) Filme repleto de dor, poesia e questionamentos existenciais, contado em tom naturalista.

 


The Killing of a Chinese Bookie (John Cassavetes, 1975) A obra de Cassavetes, um dos pais do cinema independente americano, permanece misteriosamente inédita no Brasil.



 


Almanac of the Fall (Bela Tarr, 1984) A Obra personalíssima do realizador húngaro Bela Tarr deveria sair no Brasil, em DVD – , mesmo com prejuízo certo. Enquanto isso, bendigam a Amazon.com!


 



Beneath the Valley of the Ultravixens (Russ Meyer, 1978) reza a lenda que Malcon Maclaren, então empresário dos irresponsáveis Sex Pistols, indicou Meyer para dirigir o insólito The Great Rock´n´Roll Swindle, mas a finalização deste não menos insólito Ultravixens – aliado à uma briga com Johnny Rotten - impediu a impreita.


 


 New Rose Hotel (Abel Ferrara, 1998) Cineasta irregular, mas de grande inventividade que muitas vezes resvala no nihilismo e na decadência urbana.


Corpo Ardente (Walter Hugo Khouri, 1966) Antes eram as patrulhas ideológicas, depois, as comparações grosseiras e tendenciosas com Antonioni feitas pela crítica acéfala nacional. E agora? Não há motivo para as distribuidoras não lançarem a filmografia completa (compleetaaaa!!!) de Khouri em DVD.


 


ALGUMAS MALANDRAGENS SUPERESTIMADAS DO ANO (EMBORA A MÍDIA DE CONSUMO TENTE NOS CONVENCER DO CONTRÁRIO):


1) Sin City (Robert Rodriguez, Frank Miller, 2005) Frank Miller deveria ser queimado em praça pública por não respeitar os limites de criação dos quadrinhos e do cinema (torço para que esse híbrido comece e termine em Sin City). Achei o filme um imbróglio indigesto e descartável. E vi Tarantino em tudo, até onde ele não estava.



 


2) A guerra dos Mundos (War of the Worlds, Steven Spielberg, 2005) Começa e desenvolve bem, mas de repente fica ultramoralista e familiarmente chato. Nem as toneladas de efeitos especiais salvam o frágil argumento típico de blockbuster. E ainda tem uns idiotas que vêem mensagens ‘cifradas’ na guerra entre as forças alienígenas e os americanos do filme. Sinceramente...


3) A fantástica fábrica de chocolate (Charlie and the Chocolate Factory, Tim Burton, 2005) De ensandecer vira-latas!


 



 Escrito por Treponem Pal às 05h29 PM
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