| |
GORILLAS!!! CAT-WOMEN!!! JUVENILE MONSTERS!!! UNDEAD BRAINS!!! MAD SCIENTISTS!!! THIS IS THE SCHLOCK FESTIVAL!!!
PHANTOM FROM SPACE (1953, W. Lee Wilder)
Criatura espacial, devidamente trajada com um escafandro como uniforme, aterroriza cidade próximo a Santa Monica e mata sem piedade quem cruza seu caminho. Por vezes, após assistir a película, a idéia que se tem do filme é apenas essa, ou seja, não há um desenvolvimento maior que a pequena sinopse já mencionada. Por vezes, também, há momentos em que absolutamente nada acontece, nem o tal monstro do espaço dá as caras – ele tem a capacidade de ficar invisível - ou sugestiona-se alguma coisa. Raríssimo schlock sci-fi tão absurdo quanto ruim. Em P&B.

CAT-WOMEN OF THE MOON (1953, Arthur Hilton)
Foguete tripulado por terráqueos picaretas, liderados por Sonny Tufts (Laird Grainger), chega a Lua onde encontra civilização subterrânea de mulheres-felinas dispostas a abandonar tudo e conquistar a terra. Um bocado de problemas com aranhas gigantes, alimentos estranhos, femme-fatales, motores a base de ácido nítrico e efeitos especiais em 3D compõem este clássico sci-fi camp dos anos 50. P&B

ASTOUNDING SHE MONSTER (1957, Ronnie Ashcroft)
Grade-Z do diretor Ronnie Ashcroft, realizado em poucos dias com orçamento baixíssimo, no qual se nota as técnicas mais usuais nas películas B: a pouca variação de movimentos de câmera, evitando o desperdício de filme, ângulos largos e enquadramento em distância, visando reunir todos os atores da ação em espaço restrito pelo maior tempo possível. A boataria dá conta da presença de Edward Wood Jr. na produção, não tanto pela incompetência, mas pela participação de Kenne Duncan, astro dos filmes de Wood (Night of the Ghouls, 1959), aqui num papel de um gangster. Socialite de Hollywood, namorada de um gangster é sequestrada por dois homens ao mesmo tempo que uma alienígena bonitona aparece nas colinas da Califórnia – trajando roupa ultra-justa, salto alto e uma sombrancelha estilizada – e inferniza a vida de um geólogo e dos demais atores, que não são muitos. Seu toque é mortal. Todo o charme dos filmes B está aqui: cadillacs conversíveis, clones de Jean Harlow, clima noir, mulheres fatais, homens de terno e gravata disparando contra alienígenas, clarões no céu identificados como discos voadores, trama absurda, atores ruins e uma alienígena extremamente sexy, trajando roupas brilhantes e salto alto. P&B

SANTA CLAUS CONQUERS THE MARTIANS (1964, Nicholas Webster)
Sci-fun-fiction hilária da produtora Embassy Pictures. Papai Noel (John Call), ou Santa Claus para os gringos, é raptado por marcianos malvados. O que fazer? Como ficará o Natal das crianças? Noel é imobilizado por um raio transmitido pelos marcianos, chamado Wham-O, até ser libertado pelas ‘crianças de marte’, após uma pequena rebelião numa fábrica de brinquedos. As crianças de marte riem pela primeira vez. Os terráqueos também. O Natal está salvo! De quebra, um merchandising de brinquedos desfila pelo filme, inclusive o robô espacial. Trash absoluto e clássico da sci-fi burra dos 60´s! Uma possível leitura de todos os Natais chatos pelos quais já passamos, cercado de presentes desnecessários, gente infame e alegria duvidosa. Cor.

HOW TO MAKE A MONSTER (1958, Herbert L. Strock)
Técnico de maquiagem enlouquecido (Robert H. Harris) vinga-se dos seus superiores empregando maquiagem narcótica em grupo de jovens atores, transformando-os em monstros-zumbis obedientes à sua vontade. Nesta película da AIP com produção do célebre Herman Cohen, a vingança promovida pelos jovens atores hipnotizados contra os executivos de estúdio, refratários aos filmes de horror, simboliza o grito de agonia e o declínio do gênero notado no crepúsculo dos 50´s. Cor.

WEREWOLF IN A GIRLS DORMITORY (1963, Paolo Heusch)
Mais um filme de mistério do que propriamente um filme de horror, esta produção ítalo-autríaca obscura conta a história de um internato de garotas atacado misteriosamente por um lobisomem. Desconfia-se de um professor novato, recém chegado à instituição. Algum blood gore. Cor.

HERCULES AGAINST THE MOON MEN (1964, Giacomo Gentilomo)
Na Grécia antiga (onde mais?), Hercules (Steve Reeves) protege a terra de Samara de uma rainha vampira - aliada de bruxas e monstros e adepta de sacrifícios humanos - e sua legião de homens da lua/robôs de pedra. Este é um dos mais absurdos exemplares do sub-gênero Sword and Sandal, ou como é mais conhecido entre os cultores do schlock, peplum. Esqueça a possibilidade de reconhecer passagens mitológicas durante a exibição do filme, definitivamente não é esta a intenção do diretor Gentilomo, mas tão somente promover um exploitation do gênero epic. Aliás, os italianos sempre foram pródigos em realizar versões eurotrash de gêneros americanos comerciais como filmes de zumbis, épicos, westerns, filmes de gangsters, etc. Cor.

BELA LUGOSI MEETS THE BROOKLYN GORILLA (1952, Willian Beaudine)
Sammy Petrillo e Duque Mitchel, dois atores stand-by de nithtclubs (uma versão trash e infame da dupla Jerry Lewis e Dean Martin) acabam caindo de para-quedas em uma ilha do pacífico, onde são resgatados por uma tribo local e levada até a presença do Dr. Zabor - Bela Lugosi, já foribundo – cientista e pesquisador das técnicas evolucionistas. Apaixonado pela filha de Zabor, Nona (Charlita), Duque é transformado em gorila numa experiência promovida por Lugosi/Zabor, cujo intuito é ‘reverter a evolução da espécie’ (sic). Deliciosa mistura low-budge de speedball comedy e filmes de selva, comuns nos anos 40/50, reunindo pela primeira – e última vez – a dupla Petrillo-Mitchel e o grande Bela Lugosi. Mais divertido que os filmes de Abbot-Costello. P&B

Escrito por Treponem Pal às 02h47 PM
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
INTRIGA INTERNACIONAL E O FIM DA ERA DOS ESTÚDIOS

Intriga internacional (north by northwest, 1959), produzido pela MGM, mostrava que a ligação de Hitchcock com a Paramount estava esgotada, aliás, mostrava, sim, quão tênue e arbitrária era a ligação do diretor com qualquer estúdio. Assim como os lançamentos da Paramount, Intriga internacional fazia parte de um pacote negociado pelo agente de Hitch, Lew Wassermann que incluía vários clientes da sua produtora MCA, dentre eles Gary Grant e o roteirista Ernest Lehman. O negócio realizado em torno de Intriga Internacional era um notável exemplo das mudanças na estrutura de poder e nos valores de produção em Hollywood, especialmente no que dizia respeito às grandes estrelas e aos grandes realizadores. Grant e Hitchcock receberam, cada um, uma taxa fixa para fazer o filme – a de Hitchcock era de 250 mil dólares; a de Grant, 450 mil. Os pagamentos seriam realizados ao longo de três anos para que sobre eles não incidisse pesada tributação. Cada um também ficaria com 10% da renda bruta acima de 8 milhões de dólares, a serem pagos em parcelas anuais, a partir de janeiro de 1962. A MGM providenciaria as instalações e o financiamento para o filme, que seria o mais ambicioso projeto de Hitchcock até então. O orçamento inicial de Intriga Internacional ficava estabelecido em 3,1 milhoes de dólares, e o cronograma de filmagens em sessenta dias, vinte dos quais em locação em New York, Chicago, Dakota do Sul e Califórnia. Assim que o filme entrou em produção, os custos foram subindo gradualmente – o que não era de surpreender. Houve um atraso de vinte dias nas filmagens. Quando o filme ficou pronto para o lançamento, em abril de 1959, as despesas alcançavam 4,3 milhões de dólares. No entanto, não houve queixas por parte do estúdio, visto que, na opinião dos executivos da Metro, um projeto Hitchcock-Grant representava dinheiro em caixa. E de fato a MGM recuperaria o investido só com os primeiros retornos de bilheteria.

Apesar de novato na unidade, o roteirista Ernet Lehman compreendeu bem o singular valor de mercado de Hitchcock – enquanto personalidade, estilo e tipo de experiência cinematográfica. Lehman declarou que, ao escrever Intriga Internacional, procurou chegar ao ‘filme de Hitchcock que esgotasse os filmes de Hitchcock". A história era uma combinação ideal de romance e intriga geopolítica, em que o foco vai se deslocando gradualmente do espião da Guerra Fria para o romance de Grant com Eva Marie-Saint. O resultado desse romance insinua-se desde o inicio – não é preciso ir além dos créditos de abertura para se saber disso. A previsibilidade do final de Intriga Internacional faz parte de seu charme, assim como o estilo característico de Hitchcock. O roteiro de Lehman evocava os momentos memoráveis e recursos de trama dos filmes anteriores de Hitchcock até o ultimo momento de suspense, em que o herói vai salvar uma pessoa que ameaça cair no abismo, no monte Rushmore – a evocação do final de Sabotador, em que o munumento nacional era outro, a Estátua da Liberdade. Intriga Internacional também trazia algumas cenas muito originais – entre elas uma das mais memoráveis de Hitchcock, a da famosa perseguição a Grant, que tenta escapar, em meio à árida paisagem do Meio-Oeste, de um avião biplano pulverizador de defensivo agrícola.

Intriga Internacional assinalou um ponto alto na popularidade e no sucesso de Hitchcock, e poucos poderiam ter suspeitado de que seria seguido por um filme como Psycho (psicose). O objetivo de Lehman – "o filme de Hitchcock que esgotasse todos os filmes de Hitchcock" – fora alcançado. Intriga Internacional marcou o fim de uma era, pois como Psicose a carreira de Hitchcock – e a indústria cinematográfica em geral – tomaria um rumo amplamente diverso.

Escrito por Treponem Pal às 08h48 AM
[]
[envie esta mensagem]
|
|