Desde que iniciei o blog Monstro na Garagem, em 2004, já destaquei o falecimento de duas importantes figuras do meio cultural americano, Susan Sontag e Will Eisner. Agora, dando continuidade a triste corrente de efemérides, torno às páginas eletrônicas do ‘Monstro’ para comentar o suicídio do escritor Hunter S. Thompson, aos 67 anos, em seu rancho em Aspen, Colorado.
Hunter S. Thompson criou e desenvolveu, nos E.U.A., no início dos anos 60, a partir de uma retórica não acadêmica, uma nova forma estilística de jornalismo – o ‘gonzo journalism’ -, que propõe novos caminhos não só na apresentação do texto como também na escolha dos temas, abordagem dos assuntos e até mesmo nas técnicas de apuração dos fatos. O pontapé inicial desta versão do jornalismo literário, tem sua raízes no movimento hippie, e atribuído justamente à literatura contestadora e carregada de idéias de liberdade do movimento beatnik, iniciado pouco mais de uma década antes por escritores como Allan Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.
Filho bastardo do New Journalism de Tom Wolfe, Gay Talese e Truman Capote, o Gonzo prima pela total anarquia, pelo sarcasmo e pelo exagero. Seu texto possui predominância narrativa, descrição detalhada, dramaticidade e humanização das personagens.
Designado para cobrir acontecimentos muitas vezes irrelevantes, Hunter S. Thompson voltava à redação munido de reportagens diversas daquela pela qual foi inicialmente incumbido, mas cujo conteúdo eram retratos profundos de tipos socialmente marginalizados por uma América pós-utópica.
Hunter S. Thompson tornou-se celebridade no meio indie desde que começou a sujar as mãos com contracultura no fim dos anos sessenta. Autor do célebre Fear And Loathing In Las Vegas, livro-reportagem inaugural do gonzo journalism, estilo do qual não deixou representante a altura.

Sempre digo que não haverá uma próxima vez e que não perderei mais meu tempo na frente da transmissão do ‘academy awards’, ou a festa da entrega do ‘oscar’ aos filmes de destaque do ano que se encerrou. O que ocorre é que sempre ‘dou para trás’ e acabo assistindo, pelo menos até a metade, aquela festa cafona, chata e tendeciosa. Cadê aquele diretor legal ou aquele filme inteligente que você tanto gostou no ano passado? Por que os melhores filmes da história do cinema nunca foram premiados? Por que aqueles diretores que mudaram a historia da arte cinematográfica nunca receberam nem um muito obrigado da academia? O oscar, ou melhor, a academia será sempre silente quanto a estas questões.
O triste é que, diante disso, sempre espero uma homenagem a algum diretor americano ou europeu legal, que, às portas da morte, receberá algum tipo de ‘prêmio honorário’ ou ‘pelo conjunto da obra’. Uma ‘mea culpa’ da academia antes que o diretor ou o ator importante não esteja mais em condições de saúde para receber o prêmio.
O triste é que esta é a parte mais interessante da premiação, vez que, além de vermos o tal diretor ou ator sendo aclamado pela audiência presente no Kodak Theatre, temos a oportunidade de rever aqueles trechinhos legais de filmes que sempre nos emocionarão.
O triste é saber que este diretor ou ator bacana poderá não estar entre nós no próximo ano, privando-nos dos seus filmes e, sempre, da sua inteligência. O ano que vem tem mais.