ALBERTO CAVALCANTI E A MIOPIA NACIONAL

Após visitas em variados blogs de cinema, me chamou a atenção alguns protestos, velados ou não, acerca da falta de iniciativa de nossos distribuidores no lançamento em DVD de obras essenciais da cinematografia. Marcelo Carrard, do Mondo Paura, lembrou dos cineastas do horror italiano, Mário Bava, Argento, Fulci, Deodato, o novíssimo cinema de horror asiático e muitos outros. Viver e Morrer no Cinema, outro blog cinemático, elencou, dentre alguns títulos ‘Point Blank’, de John Boorman, e já percebi a cobrança de vários títulos do Godard não lançados nestes páramos.

Posto isto, deixo aqui minha cobrança em relação a obra de um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos – talvez o de maior alcance internacional – Alberto Cavalcanti. Sabiam que ele não possui sequer um filme lançado VHS no Brasil? Afugentado e desmoralizado pelas nossas eternas patrulhas ideológicas, sofreu comentários pessoais ridículos e desabonadores por parte de cinemanovistas como Nelson Pereira dos Santos e Glauber, que cobravam uma ‘posição social’ mais marcante em seus filmes. Glauber se retratou anos mais tarde, mas o estrago já estava feito. Eternamente inédita no Brasil, sua obra continua desconhecida do grande público. Amigo de Eisenstein, admirado por Buñel e Scorsese. O crédito por esse crime de lesa-pátria cultural deveria ser imputado apenas à miopia dos nossos distribuidores??? E os filmes de Andrej Wajda, Andy Warhol, john Cassevetes, Robert Rossen, Eric Rohmer, Fassbinder, Lindsay Anderson, Russ Meyer só para citar os que me ocorrem agora? Sem falar de títulos importantes de outros cineastas ainda inéditos por aqui.
