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THE NIGHT OF LIVING DEAD

George Romero levanta o tapete de uma fictícia cidadezinha e monstra toda a perversão que a sociedade prefere ignorar e manter confortável, e deliberadamente, oculta. A imagem da casa, com frondosas arvores em volta, no qual se refugiam arquétipos sociais perfeitos de uma sociedade imperfeita e desigual: o negro, o pai de família e a esposa corajosa, um casal de jovens apaixonados, etc. Ao seu derredor, zumbis, carnívoros, sedentos por carne humana e totalmente desprovidos de consciência e valores. Só lhes resta o mais puro e animalesco instinto de sobrevivência. "Será que você é um deles?", parece ser a pergunta que Romero nos faz constantemente. Com três filmes que compõe a série dos mortos vivos, Romero satiriza implacavelmente uma sociedade baseada unicamente em valores materiais e de consumo, chegando ao cúmulo de povoar um shopping-center com zumbis. Talvez nenhum outro gênero pudesse apresentar essas idéias de forma tão clara, pela simplificação e exagero, e tão assustadora, pelos medos cotidianos que explora. É provavelmente daí que vem a eterna rejeição e preconceito para com o gênero gore: pelas fraquezas humanas e sociais expostas sem dó, sem concessões, ou falsas esperanças.

A despeito da visível falta de recurso e ritmo irregular, Night of the Living Dead, é um dos marcos do cinema dos anos 60 e grande influencia do cinema de horror moderno por mostrar explicitamente o que, ate então, era apenas sugerido. Irônico, pessimista e sufocante, tem na seqüência final a demonstração de que os seres humanos ainda podem ser mais brutais do que os monstros do seu próprio inconsciente.

Escrito por Treponem Pal às 12h00 PM
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