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THE TINGLER, WILLIAN CASTLE, VICENT PRICE E AS MINHAS PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Vincent Price como um médico que descobre que o medo provoca o crescimento de uma criatura parasítica na espinha dorsal das pessoas amedrontada. Se elas gritam, esta força diabólica pode ser destruída. Se não, pode romper a coluna e matá-la. Ele isola com sucesso e remove o invasor do corpo de uma surda-muda (Judith Evely), que havia sido aterrorizado pelo marido. Capturada, a criatura escapa e foge para um cinema lotado. The Tingler (Força Diabólica, 1959) é a lendária obra-prima do cineasta do horror, Willian Castle, famoso por conduzir campanhas de marketing inovadoras para os filmes ‘B’ de terror que dirigia, produzia e promovia com esmero empresarial inegável. Após o sucesso de A Casa Dos Maus Espíritos, Castle criou um dispositivo chamado de "Percepto" para The Tingler. Os cinemas participantes poderiam ligar algumas de suas poltronas ao equipamento que vibrava um pequeno choque no espectador em momentos climáticos do filme. Outro movimento que apostava em liberalidades estilísticas para conseguir os sustos desejados é a curta sequência colorida do sangue de torneiras a encher uma pia. Castle ainda dirigiu outros cultuados clássicos como Thirteen Ghosts e mais tarde produziu o lendário thriller Rosemary´s baby, de Roman Polansky.

Embora a parceria de Price com os cineastas que o orientavam se revelou mais produtiva ao lado do produtor/diretor Roger Corman, tanto no ciclo das adaptações livres dos contos clássicos de Allan Poe, como “A Queda da Casa de Usher” (1960), “O Poço e o Pêndulo” (1961), “Muralhas do Pavor” (1962), “O Corvo” (1963) - este baseado no célebre poema homônimo e com a participação de Jack Nicholson em início de carreira, e do já então lendário Boris Karloff – como na transposição de H.P. Lovecraft, com “O Castelo Assombrado” (The Haunted Palace), inspirado na famosa história “O Caso de Charles Dexter Ward”, foi ao lado de Willian Castle que o ator demonstrou primeiramente sua classe natural, encontrando seu real espaço no cinema como um refinado vilão de horror, sempre ironizando a si mesmo.
O público era atraído aos clássicos da cinematografia de filmes B de Castle, graças ao apelo de recursos repletos de imaginação e inventividade, como o "Emergo", um sistema de polias mecânicas que fazia um esqueleto de plástico iluminado voar sobre a platéia dos cinemas em sincronia com o surgimento de um esqueleto desencarnado na tela, em House on Haunted Hill (A Casa da Colina); "Percepto", um recurso que fazia os assentos do cinema vibrarem, simulando o ataque da fera que dá título a The Tingler; "intervalos do medo" foram encaixados nas exibições de Homicidal, para permitir que os covardes fugissem do cinema; e uma grande jogada, na qual Castle adquiriu apólices de seguros de vida no valor de US$1.000 da Lloyd's, de Londres, para "proteger" espectadores que morressem de medo durante as sessões do longa-metragem Macabre.

Para intensificar o pavor dos espectadores durante o lançamento de 13 Fantasmas, Castle lançou na época uma nova atração: "Illusion-O!", que permitia que, graças ao uso de óculos com lentes especiais, o público enxergasse espíritos na tela que eram invisíveis a olho nu. Sem dúvida, um mestre dos matinês ‘grade-Z’ de horror.

Escrito por Treponem Pal às 01h34 PM
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BONJOUR TRISTESSE, OTTO PREMINGER, JEAN SEBERG E AS MINHAS ÚLTIMAS IMPRESSÕES

Assisti, esse fim de semana, pela segunda vez na vida, Bonjour Tristesse (Bom dia tristeza, 1958), do Otto Preminger. Muita coisa ficou clara para mim sobre Preminger e seu filme: não consegui achar aquela sofisticação toda que me atraiu tanto na primeira vez que eu o vi, o clima deliciosamente melancólico de suas locações, a beleza de Jean Seberg; tudo me pareceu enormemente datado, algo como os melôs dirigidos por Douglas Sirk nos anos 50, só que sem as back-projections. Talvez isso explica a relação dúbia que crítica americana dedicou à obra de Preminger. Uma intensa relação de amor e ódio que desembocou no culto de seus filmes emulados pelos franceses da Nouvelle Vague. Bonjour Tristesse se tornou um dos filmes prediletos dos novos diretores oriundos dos Cahiers, que adotaram a tela parorâmica principalmente por causa da admiração que tinha pelo uso que Preminger fizera do recurso em filmes como Tristesse. A revelação de Preminger, Jean Seberg, se tornou uma sensação na França, o que explica o fato de Jean-Luc Godard tê-la incluído no elenco de 'À bout de Souffle' (Acossado) – uma homenagem ao diretor. Outra coisa que permaneceu inalterado para mim, rendendo ainda uma sensação de frescor foram os créditos iniciais realizados por Saul Bass, repleto daquele design gráfico forte e ousado que transformou-se quase num clichê desde meados dos anos 50 até final de 60. Mas a contradição dos seus personagens – ninguém é completamente bom ou completamente ruim – freqüentemente presente em sua obra, ruiu, me parecendo um amontoado de clichês do período tardio do ‘studio system’, antes da independência do diretor. Uma Deborah Kerr afetada e já antipática demais para o já antipático papel. Um David Niven mais canastra que o habitual.

Contudo, permanecem intocáveis as reminiscências em cores lindíssimas e os flashbacks em preto-e-branco para indicar o presente da história. Sobrevive também, mais presente do que a primeira vez que eu assisti ao filme, a indicação da relação incestuosa entre David Niven e Jean Seberg (pouco indicativa no romance de Sagan), a poderosa canção-título pela voz e presença da musa existencialista Juliete Gréco, assim como as belas imagens de uma Riviera francesa plena de melancolia e placidez.
Escrito por Treponem Pal às 03h43 PM
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