MONSTRO NA GARAGEM
  

O GABINETE DO DOUTOR CALIGARI

 

No cinema alemão, depois da Primeira Guerra Mundial, a influência do expressionismo pictórico, literário e teatral determinou o florescimento de uma série de filmes que têm seu marco saliente em O Gabinete do doutor Caligari (1919), de Robert Wiene.

Com o termo caligarismo difundido após a grande repercussão internacional do filme, pretende-se disignar um estilo baseado em cenografias e métodos de representação de matriz teatral e pictórica com o fim de exprimir uma visão deformada de situações e ambientes em sintonia com os argumentos que apresentam personagens  decididamente patológicas e vivências marcadamente emblemáticas. Em O gabinete do doutor Caligari, uma série de delitos misteriosos é obra de um sonâmbulo manobrado durante uma esquizofrênica experiência de um psiquiatra; mas tudo se revela, no final, uma alucinação de um doente mental.

Nos excessos do caligarismo está presente a exigência de um controle absoluto de todos os elementos da encenação que é provavelmente a herança mais importante da experiência do cine expressionista e do Kammerspielfilm.

Com este último termo, calcado em Kammerspiel (teatro de câmara), cunhado por Max Reinhardt, se disigna um grupo de filmes com roteiro de Carl Meyer, que fora co-autor do roteiro de O gabiente do doutor Caligari, com algumas características em comum: ambientação em espaços unitários rigorosamente delimitados; uma atenção particular aos objetos que, além de assumir funções precisas no plano da dramaturgia, assumem complexas valências simbólicas; movimentos de câmera (travellings, panorâmicas) e variações dos ângulos de filmagem destinados a uma acentuação dos efeitos dramáticos; uma sistemática limitação, levada à quase total eliminação, do uso de legendas, com o objetivo de chegar a um tipo de narração baseado em elementos puramente visuais e universalmente compreensíveis. Este ciclo de filmes, que compreende Escada de serviço (1921), de Paul Leni e Lespold Jessner, Destroços (1921) e A noite de São Silvestre (1923), de Lupu-Pick, tem a sua conclusão em A última gargalhada (1924), de Friederich W. Murnau, uma película em que a mais rigorosa estilização da encenação convive com um grande respeito pelas convenções do realismo cinematográfico.

Os cenários de Caligari, em tela pintada, a cargo de Rich Pommer, estão cheios de visões tenebrosas, ruas sombrias e tortuosas, beirando a abstração que, pela tradição do próprio cinema teutônico da época, prevaleceria sobre o resto da produção, vindo a ser conhecida como a principal característica do cinema expressionista.

Contudo, os autores do filme, Carl Mayer e Hans Janowitz, tinham ao contrário da simples estilização, a intenção de desmascarar, na pessoa do Dr. Caligari, diretor de um asilo de alienados e saltimbancos de feira, o absurdo de uma autoridade social.

No cinema expressionista - in casu O gabinete do Doutor Caligari -, é possível discernir, em alguns aspectos formais e sobretudo temáticos, obsessões e antecipações do que aconteceria durante a experiência dos Estados nazi-fascistas, como faz Kracauer (1947), em seu clássico estudo que, na edição original, leva o título From Caligari to Hitler (De Caligari a Hitler). Por outro lado, analisando os componentes formais e as técnicas de realização do cinema expressionista caligariano (ver Lotte H. Eisner, A tela demoníaca – as infuências de Max Reinhardt e do expressionismo), localiza-se, também, as bases metodológicas e estilísticas de um grupo de diretores, entre os quais se destacam Friederich W. Murnau e Fritz Lang, operadores como Karl Freund e F. A. Wagner, cenógrafos e atores que deram contribuição valiosa para o desenvolvimento da linguagem cinematográfica (mesmo depois da transferência para Hollywood, após a ascensão do nacional-solicialismo, de uma considerável parte dos quadros artísticos e técnicos do cinema alemão).

As marcas profundas deixadas pelo Caligarismo, não somente no cinema alemão, se faz sentir quando se analisa um motivo figurativo comum a muitos filmes noir americanos dos anos 40 e 50: a presença obsessiva das escadarias premonitórias, dos espelhos e, em geral, de superfícies refletoras que mostram as personagens segundo perspectivas incertas e estranhas.

Ademais, os filmes de mistério, terror (Frankenstein de James Whale, A Múmia de Karl Freund) e inúmeras películas low budge e B Movies (ver os filmes da produtora Republic e Monogram) localizam sua fonte na herança do cinema expressionista alemâo ou de diretores que tenham sofrido a influência de quem havia trabalhado na alemanha, interpretando seu legado com a afirmação de um universo de aparências em que nenhuma certeza é possível (Rebecca de Hitchcock, O espelho de almas, de Roberto Siodmak) e os dados mais comuns da experiência visual cotidiana estão sempre a ponto de transformar-se num trompl´oeil, num enigma inquietante. Em alguns casos vai além e chega a ver nesses jogos de imagens refletidas uma alusão ao próprio meio cinematográfico: eles nos obrigam a interrogar-nos sobre a posição da câmera de filmar e também sobre a própria natureza dessa máquina, sobre suas possibilidades de engenho que manipula as aparências e transgride a ordem aparente da visão comum e do enunciado narrativo.



 Escrito por Treponem Pal às 04h49 PM
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   WILL EISNER



 Escrito por Treponem Pal às 02h22 PM
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   O MUNDO FICA MAIS CHATO, MORRE WILL EISNER

Deveria ter sido indicado ao prêmio pulitzer, como Artie Spigelman, mas agora é tarde.



 Escrito por Treponem Pal às 02h19 PM
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   Elementos do filme Noir - Parte 6

A contrastada fotografia em preto-e-branco, ângulos anti-convencionais, uso recorrente de ploungés e contra-ploungés, fontes isoladas de luz, profundidade de campo, locações naturais em oposição à iluminação naturalista, ao ângulo na altura do olho, às locações em estúdio, do cinema mainstream hoolywoodiano conferiam àquelas produções de baixíssimo orçamento não somente o status de filmes B, mas também um clima ao mesmo tempo onírico e real. A influência dos expatriados alemães, que chegaram em Hollywood, nos anos 20 e 30, com outra "bagagem" cultural e técnicas inovadoras , aliados à procura de um realismo cada vez maior, contribuiram definitivamente para a criação de um estilo particular.

 

O Sonho e a Náusea, a Psicanálise e o Existencialismo, eram ambos referências constantes. A psicanálise prestava-se à análise de personagens moral e psicológicamente perturbados. A misoginia latente explicava-se no novo papel adquirido pelas mulheres quando da entrada destas no mercado de trabalho, à partir da 2a Guerra. A alienação, a solidão, a ausência de sentido, o absurdo da existência, o vazio, compõem a atmosfera existencial de um héroi desenraizado e praticamente desintegrado, inexistente, anti-héroi.

Através das vamps, dos interprétes, dos carros, das roupas, dos cigarros, dos trejeitos, ou seja, ao sabor das imagens fetichistas da sociedade de consumo, o filme noir radiografou o progressivo adoecimento da América. O moralismo, o puritanismo, o conservadorismo, o código de censura, os orçamentos reduzidos não impediram que os mais diferentes diretores exprimissem visões amargas e cruéis do sonho americano. Pelo contrário, possibilitaram o tratamento por parte da indústria, de temas tabus e polêmicos, com criatividade e ousadia.

Filme comercial ou filme de arte? Assim como seus personagens, o filme Noir trás, dentro de suas próprias convenções, a mesma complexidade e a mesma dificuldade de classificação. Acabando, portanto, por representar, no seio da indústria, uma alternativa radical à pasteurização e a idiotização do mundo e das relações humanas que sempre predominou na cinematografia americana e mundial, em todos os tempos. Capaz de provocar, ao mesmo tempo, catarse e estranhamento, o filme Noir oferece-nos sua crítica social arrasadora sob a pecha de diversão barata.

Bibliografia

BORDE, Raymond y Chaumeton, Etienne. Panorama del cine negro. Ediciones Losange, Buenos Aires, 1958.
SILVER, Alain and URSINI, James. Filme Noir READER. Limelight Editions, New York, !998.
GEADA, Eduardo. Cinema e Transfiguração. Editora Livros Horizonte, Lisboa, sem data.
MacCARTHUR, Colin. O filme policial. Editora Livros Horizonte, 1990.
MOREIRA, Ivan. O Brilho Noir (parte I), in Cinemim # 46. Editora Brasil América, Rio de Janeiro,1988
ARBEX JR, José. A outra América- Apogeu, crise e decadência dos Estrados Unidos. Editora Moderna. São Paulo, 1995.
REMOND, René. História dos Estados Unidos. Editora Martins Fontes, São Paulo, 1989.

MATTOS, A.C. GOMES. O outro lado da noite: filme noir. Rocco Editores. 2001

Filmografia


Relíquia macabra (The Maltese Falcon.
EUA, 1941. John Huston)
Pacto de Sangue (Double Indemmity. EUA, 1944, Billy Wilder)
Quando fala o coração (Spellbound, EUA, 19XX. Alfred Hitchcook)
A Dama de Shangai (The Lady From Shangai. EUA, XXXX. Orson Welles)
Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard. EUA, 1950. Billy Wilder)
A marca da maldade (Touch of Evil. EUA, 1958.Orson Welles)



 Escrito por Treponem Pal às 04h04 PM
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   Elementos do filme Noir - Parte 5

O filme noir é um estilo, uma maneira de se filmar, nitadamente influenciada pelo Expressionismo alemão, pelo Realismo poético frânces e pelo romance policial . Tomando novamente como base o texto de Scharader, podemos dividir a evolução da estética Noir em três fases.

A primeira, que corresponde à fase do detetive particular, da mulher fatal, dos diálogos cortantes e inteligentes, se deu durante a guerra, tendo como inspiração constante a literatura policial de Raymond Chandler, Dashiel Hammett e James M. Cain, podendo ser representada por filmes como O Falcão Maltês (The Maltese Falcon, 1941), O Destino bate sua à porta (The postman always rings twice, 1946, de Tay Garnett), Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944, de Billy Wilder). Vai de1941 a 1946.

A fase seguinte, a do período pós-guerra (45/49), deu ênfase ao crime das ruas, a corrupção e a rotina policiais. Os hérois eram menos românticos que os do período anterior . O realismo desta fase vêem de encontro ao sentimento de desilusão do pós-guerra e a difícil readaptação dos veteranos à sociedade que se transformava, podendo ser visto em filmes como Brutalidade (Brute force, 1947, de Jules Dasin), Assassinos (The killers, 1946, de Robert Siodmak) e Amarga Esperança (They live by night, 1949, de Nicholas Ray).

Na terceira e última fase, de 1949 à 1953, predomina a paranóia, o impulso suicida e a ação psicológica. O desespero e a desintegração do héroi chegam ao ápice e o assassino psicopata, não mais um mero figurante, torna-se definitivamente o protagonista. São deste período, filmes como Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard,1950, de Billy Wilder), Os Corruptos (The Big Heat, 1953, de Fritz Lang) e Mortalmente Perigosa (Gun Crazy, 1950, de Joseph H. Lewis). Era o tempo da "caça às bruxas", da histeria coletiva do Macarthismo

Entre meados de julho e fins de agosto de 1946, público e crítica franceses, assistem pela primeira vez, a um punhado de filmes que a ocupação alemã impedira de chegar a Europa. Entre eles, Laura , Pacto de Sangue e é claro, O Falcão Maltês. O cinismo e o pessimismo destas obras encontraram uma imediata ressonância no estado de espírito francês que, assim como todos os povos europeus, se encontrava bastante debilitado depois de cinco anos de intensos e desgastantes conflitos.

Cerca de um ano depois, em 22 de setembro de 1947, o Plano Marshall entra em vigor na Europa. Era a maneira encontrada pelo governo americano de evitar a disseminação da propaganda comunista, numa Europa empobrecida e devastada pela guerra.

Em seu próprio território, o medo que a classe média americana sentia da ameaça comunista, representada pela União Soviética, era alimentado e explorado pelo macarthismo. O clima era de histeria, e todo o conservadorismo e preconceito da sociedade americana era capitalizado pelo Senador Joseph MacCarthy, em prol da defesa da "pátria", contra os inimigos da "liberdade".

A paranóia era justificável até certo ponto afinal, depois de Hiroshima e Nagasaki, o mundo chegara a um impasse. Antes, o inimigo era o outro. O nazismo, com as atrocidades e barbaridades dos campos de extermínio, facilitava o trabalho de identificação das forças do mal no mundo exterior. Porém a explosão de uma bomba nuclear como demonstração de forças decretava o fim da ingênuidade e inaugurava uma era de angústia e mal-estar.

A crueldade passa a ser reflexo direto de uma sociedade que passa a ter de conviver com a ameaça de uma guerra nuclear.

Diante da aparente gratuidade da vida, aprisionado em seus próprios medos, sem a possibilidade de redenção e transcendência, o héroi noir faz do niilismo a sua profissão de fé.

Sem centro e sem rumo, sem valores e certezas, nada mais lhe resta do que cultivar a própria solidão e vazio interiores. Assim, frente ao aparente absurdo da existência, nosso homem acaba tomando tudo cinicamente como uma grande piada, uma peça que o destino lhe pregou e sua vida, um pequeno pedaço de uma engrenagem que se move em direção alguma.

Se, no início temos a figura do detetive durão e solitário encontrando um sentindo para a existência no individualismo e no exercício de sua profissão, sobrevivendo como um pária do mundo exterior, e mantendo uma ilusória sanidade mental às custas da indiferença e do "não envolver-se". Encontramos o homem, no final do ciclo noir, cada vez mais alienado da verdadeira causa de sua perdição, vendo o semelhante amortecer a própria consciência com sonhos de poder e riqueza, sonhos estes que, ele melhor que ninguém, sabe serem simples fantasias, ilusões que se desmancham no ar.



 Escrito por Treponem Pal às 04h04 PM
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   Elementos do filme Noir - Parte 4

Essas medidas tinham por objetivo à reestruturação do sistema capitalista do país, em colapso desde o crash da bolsa de Wall Street em 1929, que engendrerá a grande Depressão, o acontecimento responsável pela primeira e talvez irreversível desilusão americana com seu projeto de ação. "A crise abalou a confiança da nação americana no dogma da livre iniciativa, nas virtudes da iniciativa privada e na solidez dos pressupostos liberais."

O filme Noir é descendente direto do filme de gângster dos anos 30, que por sua vez é filho desta realidade, marcada pela crise econômica e pelo aparecimento do crime organizado, estruturado junto à instituição de Lei Seca e que imediatamente após sua revogação, intensificou e diversificou suas atividades. O crime tornou-se um meio rápido de ascensão social. A moral perdia sua rigidez e se desintegrava, numa sociedade aonde as antigas leis políticas e econômicas não garantiam mais um futuro promissor.

A ação das organizações criminosas se assemelhavam aos procedimentos utilizados pelas grandes corporações capitalistas, diluindo a fronteira que separava legalidade da ilegalidade. O cidadão comum ficava à deriva, num mar de incertezas, ou se deixava levar pelas ondas da corrupção.

O crime surge, nem tanto como o resultado de uma revolta contra as condições de um sistema que marginaliza e oprime, mas como tentativa de preencher vidas tediosas e opacas.

A violência é a válvula de escape, o termômetro social, forma que seres embrutecidos encontram para perseguir seus interesses, reivindicar seus direitos, ou manifestarem sua inadaptação ao mundo.

O otimismo puritano americano ruía opor dentro, enquanto que no Velho continente, a ascensão do fascismo e do nazismo, preparavam o caminho para a 2a Guerra Mundial, evento que abalaria as estruturas da sociedade ocidental, e instauraria um mal-estar generalizado no homem moderno.

Quando o Japão atacou Pearl Harbor, base militar americana no Pacífico, em 7 de Dezembro de 1941, os Estados Unidos, graças ao New Deal, já haviam superado a fase crítica da Grande Depressão. Com a vitória na 2a Guerra, os Estados Unidos começavam a se consolidar como a maior potência capitalista do planeta. O mal antes representado pelo nazi-fascismo é prontamente substituído pela "ameaça vermelha". A geo-política do mundo se bipolariza. Ninguém pode ficar em cima de "muro". A Guerra Fria têm inicio e a disputa ideológica entre o american way of life e a ditadura do proletáriado produz o "Equilíbrio do Terror", através da corrida armamentista.

Retrato de seu tempo, o Filme Noir nos mostra um mundo de luz e sombras, onde a moral maniqueísta e a divisão simplista entre bons e maus cede espaço à decadência e ambiguidade dos personagens. Um mundo em que a desilusão e a incerteza se embrenharam nos alicerces de uma sociedade, que faz do sucesso uma cultura e do individualismo uma religião.



 Escrito por Treponem Pal às 04h03 PM
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   Elementos do filme Noir - Parte 3



 Escrito por Treponem Pal às 04h02 PM
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   Elementos do filme Noir - Parte 2

O que segue é uma outra tentativa de preencher a lacuna de definições do filme noir em complemento às definições dadas acima:

1.      Perversão/transgressão moral. Um grande exemplo é William Bendix usando termos afetuosos como “docinho” e “querido” enquanto tortura Alan Ladd, em The Glass Key;

2.      Destino. Freqüentemente, os protagonistas do noir se metem em encrenca por causa de traços de personalidade (Double Indemnity e Criss Cross) ou circunstâncias além do seu controle (Detour).

      3.      Traição/Ilusão. Todas as relações humanas estão sob risco no mundo noir – a relação entre cônjuges (Pitfall, Woman in the Window), entre patrões   e      empregados (Phantom Lady), entre clientes e investigadores particulares (The Maltese Falcon, The Big Sleep), entre amantes (Criss Cross) e mesmo entre    pais e filhos (Mildred Pierce). Toda relação presumidamente baseada na verdade e mesmo no amor tem o potencial de se transformar em traição por dinheiro ou   sexo,   ou ambos.

 

Em 1941, os Estados Unidos entravam na Guerra. No mesmo ano, estreava O Falcão Maltês, filme de Jonh Huston, que é considerado o primeiro filme noir da história.

Em seu sobredito ensaio sobre filme noir, de 1972, Paul Scharader, define-o como uma período específico da história do cinema, colocando-o em pé de igualdade com o Expressionismo Alemão e a Nouvelle Vague Francesa. Diferencia-o, portanto, do gênero, como o western e o filme de gângster , garantindo-lhe o status de movimento.

Porém, não foi um manifesto, nem uma declaração de princípios que lhe conferiu a devida importância histórica e artística, e sim a crítica francesa, que cinco anos após a estréia americana do filme O Falcão Maltês tomava contato com uma nova sensibilidade, uma estética, que impregnou a produção de filmes ‘B’ hollywoodianos (principalmente filmes policiais) e, mais tarde, até mesmo alguns melodramas classe A.

Em seu livro "A outra América", o jornalista José Arbex Jr., escreve que, a história contemporânea dos Estados Unidos, de certa forma, pode ser descrita como uma luta entre as facções pró e contra as reformas econômicas e sociais patrocinadas por Franklin Delano Roosevelt, conhecidas sob a designação de New Deal.



 Escrito por Treponem Pal às 04h00 PM
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   Elementos do filme Noir: os ensaios de Paul Schrader e José Arbex.

 

Há sete elementos de um filme noir que Raymond Borde e Etienne Chauteton apontaram em Panorama du Film Americain (extraído e traduzido em Film Noir Reader, editado por Alain Silver e James Ursini). São eles:

  • um crime;
  • a perspectiva dos criminosos, não da polícia;
  • uma visão invertida das tradicionais fontes de autoridade, tal como a corrupção policial;
  • Alianças e lealdades instáveis;
  • a “femme fatale”: a mulher que causa a ruína e/ou morte de um bom homem;
  • violência bruta;
  •  

    motivação e mudanças em complôs bizarros.

Paul Schrader observa a dificuldade em definir film noir em Film Comment (também reimpresso em Film Noir Reader), porém o limita em um período específico – de  The Maltese Falcon (1941) até Touch of Evil (1958). Ele argumenta que o noir é literalmente preto. Cenas noturnas, iluminação de alto contraste e sombras fazem parte do estilo noir. Além disso, o filme noir trabalha com tempo não-linear, disjuntivo.

Apesar destas duas tentativas de definir o filme noir sejam úteis, elas igualmente são limitadas. A diferença entre filme noir e policial, segundo Borde e Chaumeton, é muito pequena. Filmes como The Naked City e Crossfire foram estruturadas a partir de uma perspectiva do policial, ainda que não haja limites para a violência bruta e a perversão dos assassinatos em Crossfire. Borde e Chaumeton também negligenciam o elemento de transgressão moral/perversão que torna um noir verdadeiramente obscuro. Além disso, o argumento de Schrader que o gênero noir está morto é prematuro. Filmes recentes como Bound, Dark City e virtualmente qualquer coisa de John Dahl não são meramente homenagens ao filme noir, mas versões contemporâneas deste. A seção “Film Noir” do Internet Movie Database lista filmes de 1927 (The Underworld) até o presente. Uma estatística destes indica um pico primário de 1945 até 1951, e outro pico de 1951 até cerca de 1958 com um ressurgimento nos anos 1990.

Entretanto, Schrader está correto ao afirmar que definir o noir é quase impossível. Quantos elementos noir são necessários para se fazer um noir? Um? Três? Sete? Então, um noir pode ter apenas um único elemento, enquanto que outro filme que possua três não seja considerado um noir.



 Escrito por Treponem Pal às 03h59 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 9)

 

O ciclo do film noir deu origem a várias partituras musicais marcantes, compostas por maestros como David Raksin (Laura) e, principalmente, o lendário Miklos Rozsa (Double Indemnity, The Lost Weekend,  Naked City). O interesse pelo gênero somente diminuiu quando a televisão acabou com o mercado deste tipo de baixa produção, e o “tiro de misericórdia” foi dado quando o filme colorido se tornou padrão em Hollywood. Era muito difícil, senão impossível, filmar estórias da natureza do noir em cores sem o ambiente sinistro que a fotografia em preto-e-branco propiciava – a cor, tal como usada naqueles dias, tirava a concentração e, por questão de necessidade, criava imagens muito brilhantes. O filme noir, contudo, não desapareceu inteiramente como gênero e campo de estudo. Na França, diretores como Jean-Pierre Melville (Bob Le Flambeur) e Jean-Luc Godard (Breathless) foram profundamente influenciados pelo gênero americano. Jules Dassin também fez um clássico filme noir, Riffifi. Ocasionalmente, um filme como Cry Terror de Andrew e Virginia Stone ou Key Witness, de Phil Karlson – ambos datando do começo dos anos 60 – emergiriam de Hollywood, mas foram apenas uma exceção e nenhum atingiu o sucesso esperado, de modo a trazer um interesse maior. 



 Escrito por Treponem Pal às 03h57 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 8)

A importância do filme noir diminuiu durante os anos 50, algum tempo após o final da Guerra Mundial que deu origem ao seu nascimento. A longevidade do gênero, contudo, pode ser atribuída primeiro à sua flexibilidade – ao contrário dos westerns, os filmes policiais nunca saem de moda e as diferentes manifestações do crime oferecem uma rica seleção de matéria-prima. Ao final dos anos 40, à medida que a delinqüência juvenil estava se tornando um assunto prioritário, a Universal produziu City Across The River (basedo no best seller “The Amboy Dukes”, de Irving Shulman), sobre gangues de rua na região de Brownsville do Brooklyn. E nos anos 50, mesmo o “Terror Vermelho” (a paranóia anti-comunista) manifestou-se no filme noir, em um dos melhores thrillers policiais da década, Pickup On South Street (1953), de Samuel Fuller, no qual um batedor de carteiras (Richard Widmark) se encontra metido com espiões inimigos e agentes do F.B.I quando ele rouba a bolsa de uma mulher que contém um valioso pedaço de microfilme - Thelma Ritter, a qual, apesar da produção "B", recebeu uma indicação ao Oscar.



 Escrito por Treponem Pal às 03h56 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 7)

Um outro exemplo brilhante do gênero é Force of Evil (1948), de Abraham Polonsky, o único que não nasceu em Hollywood. Filme de uma produtora independente chamada Enterprise Studios, em Force of Evil estrelava John Garfield como um empresário bem-sucedido de Wall Street tentando comandar um sindicato que planeja quebrar o “jogo-do-bicho” local e transformá-lo em uma loteria legal, mas, para isso, ele precisa arruinar a vida de seu irmão – com o qual está brigado – , um pequeno “bicheiro”. Garfield é destruído quando ele tenta salvar o bem-estar financeiro de seu irmão, o que custa a vida deste (brilhantemente interpretado por Thomas Gomez) no processo. A Força da Maldade mencionada no título original é o capitalismo e a ganância do sistema. Em The Asphalt Jungle (1950), de John Huston, todos são culpados e ou são pegos ou mortos – saber disso não diminui a importância do filme, pois o modo como eles são pegos ou mortos é do que realmente trata o filme.  Mesmo Samuel Goldwyn, conhecido por fazer filmes para atingir o maior público possível (The Best Years of Our Lives, Hans Christian Andersen, etc.), produziu um filme noir, Edge of Doom, o qual provou ser um dos mais sombrios e bizarros exemplos do gênero. Farley Granger, que trabalharia muito melhor em Side Street, interpreta um garoto pobre de Boston que mata acidentalmente um padre e passa o resto do filme tentando escapar de sua responsabilidade e sua perseguição por outro padre (Dana Andrews).



 Escrito por Treponem Pal às 03h55 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 6)

Em outros exemplos do gênero, os personagens são tudo, menos inocentes. O filme Laura (1944), de Otto Preminger, por exemplo, o qual também é um dos mais românticos noir feitos, todos os envolvidos na trama (exceto por um mordomo) são potenciais suspeitos do assassinato e têm motivos para tanto.  Mesmo o policial, interpretado por Dana Andrews, está tão absorvido por seu trabalho que ele não percebe a selvageria e o sadismo que movem suas ações e motivações. Andrews, Preminger, e a estrela do filme, Gene Tierney explorariam novamente esse personagem em 1950, no filme Where The Sidewalk Ends, no qual Andrews representa um policial que inadvertidamente se envolve num assassinato – ironicamente, um dos poucos crimes que ele é acusado e que não é culpado!



 Escrito por Treponem Pal às 03h55 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 5)

 

Ao nível mais popular, Daniel Hammett (The Falcon Maltese) e Raymond Chandler (The Big Sleep, Farewell my Lovely) estavam em demanda como nunca e nos anos 40 eles finalmente viram as personalidades sinistras de seus personagens levadas às telas razoavelmente intactas. O filme noir foi o primeiro gênero no qual o perigo com o qual os personagens se defrontavam era mais psicológico do que físico. A platéia parecia responder bem a esse fenômeno, e o sucesso de This Gun for Hire e I Wake up Screaming, em particular, anunciou uma era de dramas policiais sinistros e mistérios habitados por personagens estranhos e obcecados: Phantom Lady, Deadline At Dawn, The Woman In the Window, Scarlet Street, Murder My Sweet, The Lost Weekend, The Strange Love of Martha Ivers, Pitfall, Dead Reckoning, The Dark Corner, Edge of Doom, Force Of Evil, Kiss of Death, The Asphalt Jungle, They Live By Night, D.O.A. Os títulos por si só falam a respeito desses filmes. Uma típica trama noir poderia envolver uma pessoa que comete um pequeno e aparente sem importância ato de indiscrição – estando bêbada, fazendo um favor para um estranho ou falhando ao realizar uma tarefa para um estranho – e acaba se encontrando num dilema de vida ou morte. Em Dark Corner, Mark Stevens se vê perseguido, agredido e preso por um detetive particular por um assassinato que não cometeu, tudo a pedido de um homem (Clifton Webb) que mal sabe ou se lembra de sua própria motivação pervertida por vingança.  Em Deadline At Dawn, o único filme dirigido pelo renomado diretor de teatro Harold Clurman, o marinheiro Bill Williams, durante uma visita a Nova Iorque, acorda após um porre e descobre que a mulher com a qual estava – e que estava tentando roubá-lo  - foi estrangulada e ele pode ficar comprometido por vários indícios e testemunhas. Em Pitfall, Dick Powell, investigador de uma companhia de seguros, dá atenção para uma mulher aparentemente carente e vulnerável (Lizabeth Scott) e isto o envolve em uma fraude, uma chantagem e um assassinato. Finalmente, em D.O.A., talvez o mais sinistro dos filmes noir, o empresário Edmond O´Brien percebe que lhe foi dado um veneno letal, de efeito prolongado, que o matará em 24 horas e ele gasta este tempo tentando descobrir o porquê do envenenamento; ao final, descobre que foi assassinado somente porque documentou uma conta de venda para um homem que nunca vira antes, o que tornara-o uma testemunha em potencial num caso de fraude e assassinato.



 Escrito por Treponem Pal às 03h54 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 4)

A chegada da Guerra à Europa degradou o humor do povo americano tal como a Grande Depressão, em todos exceto nos piores dias, não tinha feito. Os EUA sobreviveram à Depressão, mas subitamente o mundo parecia estar se tornando mais ameaçador do que tinha sido durante aqueles dias agitados – os líderes da Alemanha democraticamente eleitos planejavam conquistar a Europa e o extermínio de milhões, e os outros líderes comparáveis na cena internacional eram os ditadores da URSS e Japão; Inglaterra e França estavam paralisados; e os EUA, cuja participação prévia na política internacional durante a Primeira Guerra Mundial terminou em desastre para o Presidente e o Congresso, estavam incapazes de agir. Para tornar pior as coisas, havia o fato do início da Segunda Guerra coincidir com o fim dos últimos vestígios do desemprego da Grande Depressão. O filme noir foi uma reação ao mundo que se desenhava em 1941. Na época, os filmes estavam mais preparados para um novo tipo de herói e um novo leque de personagens. A imposição do Código de Produção (Production Code), censurando o conteúdo dos filmes a partir de 1933, teve o efeito de limpar e clarificar as superfícies externas dos personagens e das tramas, mais do que seus autores, atores e diretores poderiam ter gostado. Atores como James Cagney, Humphrey Bogart e mesmo John Wayne (dê uma olhada em sua representação como Ringo Kid em Stagecoach) tinham trabalhado para trazer algum lado obscuro para sua representação, mas somente de uma maneira muito limitada. Geralmente, os filmes se tornaram menos abrangentes após oito anos de censura auto-imposta.

Quando o filme noir apareceu durante o início dos anos 40, mostrando lados do comportamento humano anteriormente ignorados, o público respondeu mais entusiasticamente. A Guerra também ajudou em outro aspecto – muitos dos trabalhos que se seguiram não teriam passado pelos censores nos anos 30, mas após a entrada da América na guerra, os padrões se perderam à medida que a indústria cinematográfica reconheceu que o mundo era um lugar mais violento e perigoso. E uma nova geração de escritores chegou em Hollywood para se aproveitar disso. O trabalho do autor Cornell Woolrich, em particular, serviu como ponto de referência para estes dramas psicológicos obscuros. Uma pessoa profundamente atormentada, porém um escritor talentoso que sofria de depressão crônica e uma obsessão por sua própria mãe e que era homossexual, Woolrich foi um dos mais populares escritores de ficção policial no início dos anos 40; seu trabalho foi extensamente publicado em revistas assim como em novelas. Sua estória "Black Friday" e novellas como "Phantom Lady" e "The Night Has A Thousand Eyes" tornaram-se a base para muitos filmes importantes durante os primeiros anos daquela década; além disso, ele criou o texto que subseqüentemente foi adaptado ao cinema como Rear Window, de Alfred Hitchcock.



 Escrito por Treponem Pal às 03h52 PM
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   NO CALOR DA NOITE: FILME NOIR (PARTE 3)

The Maltese Falcon (1941), de John Huston, é também freqüentemente citado como um dos pioneiros do filme noir, mas sua psicologia é mais fraca que a do filme de Humberstone. Sam Spade, personagem vivido por Humphrey Bogart, entretanto se movimenta por um mundo reconhecidamente noir, repleto de homens e mulheres obsessivos com temperamento homicida, policiais cuja dedicação beira ao sadismo, mulheres cuja sexualidade é pessimamente controlada – e utilizada conscientemente para fins de destruição – e, no centro de tudo, um herói que luta constantemente contra seus piores impulsos. Um outro filme do mesmo período que parece definir o nascimento do gênero foi This Gun for Hire (1941), de Frank Tuttle, baseado em “A Gun for Sale”, de Graham Greene, e estrelando Alan Ladd, Veronica Lake e o onipresente Laird Cregar. A estória de um matador de aluguel era fora do convencional para os padrões de Hollywood, mas Ladd trouxe tanta humanidade e desespero para seu personagem que as platéias acharam irresistível – e essa mistura de psicose e honradez tornou-o o mais extraordinário anti-herói de Hollywood, contrastando bem com o personagem patético e caprichoso de Laird Cregar e o empresário traidor de Tully Marshall. As origens do filme noir durante esta época, tendo como fundo o início da Segunda Guerra Mundial, não foram uma mera coincidência.

 



 Escrito por Treponem Pal às 03h51 PM
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   FILME NOIR: NO CALOR DA NOITE (PARTE 2)

O desenvolvimento do filme noir foi gradual, chegando algum tempo após o ciclo de filmes clássicos de gângsteres em Hollywood. Os filmes policiais dos anos 1920-30 tinham seu lado psicológico – por exemplo, The Last Mile, Sabotage e The Petrified Forest – nos quais a motivação dos criminosos era tão fascinante quanto seus crimes. Mesmo The Roaring Twenties, com James Cagney, no final do ciclo de filmes de gângsteres da Warner Bros, apresentou um anti-herói cuja psicologia o levou a aceitar a morte – após sobreviver à Primeira Guerra Mundial, aos primeiros conflitos entre gângsteres e ao fim da “Proibição” (período no qual o governo americano proibiu a comercialização de bebidas alcoólicas). Alguns outros poucos filmes, em especial M (Fritz Lang), estrelando o então jovem Peter Lorre, focava mais na psicologia da mente criminosa do que na história da caçada do criminoso de uma criança. Contudo, estes trabalhos relativamente sofisticados foram exceção mais do que regra e a maioria dos filmes policiais dos anos 30 foram, na melhor das hipóteses, tiroteios bem feitos amarrados a material policial extravagante.

O filme noir como gênero definido começou no início dos anos 40, com filmes que lidavam com o lado sinistro de uma psicologia idêntica entre perseguidores e criminosos, a ponto de em The Big Sleep (1946), de Howard Hawks, a seqüência de crimes que suportam a trama ser difícil de discernir. Por outro lado, o primeiro filme genuinamente noir, segundo muitos críticos, foi I Wake up Screaming, de H. Bruce Humberstone, baseado numa novela de Steve Fisher e estrelando Victor Mature, Betty Grable e Laird Cregar. O título pode dar calafrios na espinha, mas os elementos verdadeiramente noir residem no sadismo pesado do personagem de Cregar, um policial obsessivo e homicida que atormenta os dois suspeitos (Mature, Grable) pelo assassinato de uma atriz. O filme conta a história do crime e da investigação, mas sua verdadeira força está na habilidade em fazer com que o espectador se sinta tão ameaçado quanto os dois suspeitos – eles se encontram encurralados numa intricada teia legal e psicológica tecida pelo policial. O espectador sente cada choque, à medida que os fios da teia são puxados bruscamente e tensionados fortemente, assim como os próprios personagens. Torna-se claro após alguns minutos de filme que estamos na presença de algo perigoso e doentio; mesmo nos dias de hoje, assistir a esse filme é uma experiência indescritível. Apesar de ninguém tentar rivalizar conscientemente com I Wake Up Screaming, ele foi padronizado filme noir padrão – a selva de pedra habitada por personagens que parecem perdidos ou feridos psicologicamente e cercados por armadilhas que são mais imaginárias do que reais, com a lei e a justiça sempre excedendo seus limites no sentido de destruí-los. I Wake Up Screaming acrescenta o elemento necessário para representar a lei como uma força sinistra e ardilosa simbolizando a injustiça. 



 Escrito por Treponem Pal às 03h51 PM
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   FILME NOIR: NO CALOR DA NOITE

filme noir é um dos gêneros cinematográficos “de época” mais admirados e populares do final do século vinte, apesar de o termo noir ser desconhecido à época na qual os filmes foram produzidos. Basicamente, ele significa “filme escuro” – uma variação do termo francês do século 19 “novela escura” – referindo-se a qualquer número de dramas policiais carregados psicologicamente dos anos 1940-50.  Na época em que foram feitos, os filmes eram relacionados simplesmente a gângsteres ou mistérios, sem qualidades aparentes separando-os de outras produções. Os críticos franceses originalmente usaram a designação film noir para definir filmes dos anos 1930, tais como La Chienne (Jean Renoir) – mais tarde refeito em Hollywood por Fritz Lang sob o nome de Scarlet Street; porém, ele se aplicava igualmente bem a uma particular gama de filmes americanos e foi aceito pela crítica nos EUA a partir do final dos anos 50 para definir um tipo de gênero – especificamente um sub-gênero do filme policial. Hoje, há verdadeiros festivais de filmes noir na programação dos cinemas e redes de TV, uma grande ironia para um gênero que foi definido com um termo que os produtores e críticos da época provavelmente não teriam compreendido. 



 Escrito por Treponem Pal às 03h49 PM
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   OS 10 MAIS DA PARADA

 

Porque 10 é melhor que 20! Idiosincrasia a parte, aqui vão os 10 melhores filmes vistos (ou revistos) em 2004:

 

  • Edifício Máster (Eduardo Coutinho)
  • Tabu (Murnau)Welles)
  • Toquio Violenta (Suzuki)
  • The Trip (Roger Corman)
  • Elephant (Gus Van Saint)
  • Falstaff (Orson
  • A noite (Antonioni)
  • The man from planet X (Edgar G. Ulmer)
  • Alice nas cidades (Win Wenders)
  • Amores de uma loira (Milos Forman)


 Escrito por Treponem Pal às 12h47 PM
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